Controlo por gestos nos automóveis
O controlo por gestos automóvel interpreta um movimento da mão ou do corpo como uma entrada, sem exigir contacto com um comando convencional. Pode reduzir o alcance ou a orientação visual para um pequeno conjunto de comandos, mas apenas se o gesto for fácil de descobrir, reconhecido com fiabilidade e seguido de uma resposta inequívoca.
Como funciona a entrada por gestos
Os sistemas de gestos do habitáculo podem utilizar um sensor de infravermelhos, uma câmara bidimensional ou de profundidade, radar ou uma combinação de sensores. O software identifica uma mão, segue o movimento, classifica o padrão e associa o resultado a um comando.
Os tipos comuns de interação incluem:
- um gesto distinto no ar, como deslizar ou rodar;
- apontar para uma área do ecrã ou um objeto físico;
- uma posição da mão mantida durante um período definido;
- um gesto combinado com olhar, voz ou comando do volante;
- deteção de proximidade que revela os comandos antes do contacto.
A zona de reconhecimento é importante. Um gesto que funcione apenas a determinada altura ou distância pode obrigar o utilizador a procurar um alvo invisível. O sistema deve indicar quando a mão entra na zona ativa e quando um comando foi reconhecido.
Tarefas adequadas
O controlo por gestos é mais credível para algumas ações reversíveis e de poucas consequências:
- ajustar o volume de áudio;
- rejeitar uma chamada ou notificação;
- percorrer uma lista multimédia curta;
- revelar informações contextuais;
- controlar uma função do passageiro quando o comando físico está fora de alcance.
É uma má interface exclusiva para luzes de emergência, seleção de marcha, limpa-para-brisas ou outra ação que tenha de funcionar imediata e previsivelmente. Um comando com consequências de segurança, proteção, pagamento ou acesso necessita de uma via de confirmação mais explícita.
O vocabulário gestual mais forte utiliza movimentos fáceis de memorizar, que exigem pouco esforço e se distinguem de uma conversa ou movimento de condução normal. Um gesto não deve depender de um significado cultural específico sem ensinamento claro.
Descoberta e resposta
Um comando físico anuncia a sua localização. Um gesto no ar não. Por isso, o sistema precisa de ensinar os comandos disponíveis sem obrigar o condutor a estudar um manual em movimento.
Quando for prático, a resposta deve ser multimodal:
- um sinal visual subtil pode mostrar a zona ativa ou o gesto interpretado;
- um som breve pode confirmar a aceitação sem exigir outro olhar;
- a resposta háptica no ar pode acrescentar uma sensação de limite ou conclusão;
- uma via imediata para desfazer pode corrigir uma ativação falsa.
A investigação sobre resposta multimodal para gestos no ar em automóveis estudou como sinais visuais, sonoros e táteis afetam a interação em condução simulada. Os resultados dependem da tarefa, implementação e desenho do estudo; apoiam a avaliação de todo o ciclo de resposta em vez de pressupor que uma entrada sem contacto causa inerentemente pouca distração. Shakeri et al. — Multimodal feedback for in-car mid-air gesture interaction
Modos de falha
Os sistemas de gestos enfrentam erros específicos:
- ativação falsa: um movimento normal da mão é interpretado como comando;
- ativação falhada: o movimento pretendido fica fora da zona de deteção;
- erro de classificação: o movimento é detetado, mas associado ao comando errado;
- erro de modo: o mesmo gesto significa algo diferente noutro ecrã ou contexto;
- oclusão: roupa, volante, outro ocupante ou objeto bloqueia o sensor;
- erro de resposta: o comando é executado sem o utilizador reparar, ou parece falhar apesar de ter sido registado.
Luz solar, escuridão, luvas, mangas, disposição do habitáculo, movimento dos passageiros e lateralidade podem afetar um determinado desenho de sensores. A questão relevante é o desempenho medido no habitáculo de produção, não a tecnologia nominal de deteção.
O que as provas podem e não podem demonstrar
Um estudo de acesso aberto de 2022 desenvolveu um conjunto de gestos no ar definidos pelos utilizadores para controlo multimédia e comparou o protótipo com interação tátil numa experiência de seguimento ocular em simulador de condução. O protótipo reduziu as medidas de distração visual para as tarefas selecionadas, mas isso não demonstra que todos os sistemas de gestos, comandos ou condições reais de estrada façam o mesmo. Zhang et al. — Mid-air gestures for in-vehicle media control
A ISO 15005 fornece princípios mais amplos de gestão do diálogo para interação com veículos em movimento. Aplicá-los aos gestos significa manter a sequência compatível com a condução, tornar claro o estado do sistema, permitir interrupção e evitar passos desnecessários. ISO 15005:2017 — Dialogue management principles
O controlo por gestos deve ser comparado com a melhor alternativa para a mesma tarefa. Um comando rotativo pode superar gesto e toque no ajuste repetido do volume. A voz pode ser melhor para um destino. Um ecrã pode ser melhor para a escala do mapa. O gesto merece o seu lugar apenas quando reduz o custo completo da interação.
O que os compradores devem verificar
- Consegue descobrir os gestos suportados sem ler um manual longo?
- O sistema mostra onde começa a zona de deteção?
- O reconhecimento e a execução são confirmados sem um olhar demorado?
- Movimentos normais da mão podem acionar um comando?
- O mesmo gesto mantém o mesmo significado em diferentes contextos?
- Como se comporta o sistema sob luz solar direta e na escuridão?
- Condutor e passageiro podem utilizá-lo sem controlar a zona errada?
- Todas as ações gestuais importantes estão disponíveis noutro comando?
- Uma ação errada pode ser imediatamente cancelada ou desfeita?
- A funcionalidade continua a poupar esforço depois de passar a novidade?
Uma boa interface gestual é modesta. Oferece alguns atalhos memoráveis, permanece silenciosa durante movimentos normais e nunca deixa o utilizador a perguntar se o automóvel viu o comando.